Esse blog é uma verdadeira caixa de retalhos, escrevo tudo o que quero, lê quem quiser e comenta quem acha alguma coisa.

domingo, 30 de setembro de 2007

Martha Medeiros

Admiro muito a Martha Medeiros pelo seu estilo de escrita e por sua capacidade de captar as mensagens subliminares das coisas que andam rolando por aí. Segue um texto que me chamou muita atenção pela perspicácia da sua leitura em relação a uma frase tão banal que usamos no dia-a-dia e nem nos damos conta...

Eu estava descendo pelo elevador. De repente, a cabine parou no terceiro andar, a porta se abriu e reparei que havia um apartamento em obras. Uma moça meio empoeirada entrou no elevador e seguiu descendo comigo. Cumprindo as regras da boa vizinhança, perguntei quando é que se mudariam. Ela respondeu que, se tudo desse certo, na próxima semana, mas o marceneiro ainda tinha que acabar um serviço, e marceneiro, sabe como é...

Fiquei com aquele "sabe como é" martelando no meu ouvido. Marceneiro atrasa. Era isso que eu deveria saber como é. Aliás, nenhuma obra é entregue no prazo combinado, todo mundo sabe como é. E, por sabermos como é, as combinações são desrespeitadas e qualquer cobrança torna-se nula. Se a gente sabe como é, está reclamando do quê?

Alguns médicos não costumam atender no horário marcado. Antes de se deslocar até o consultório, convém telefonar. Há grande chance de a secretária avisar: "Olha, é melhor você vir uma meia horinha depois, porque a paciente das quatro e meia ainda nem chegou, sabe como é..."


Se uma peça de teatro está marcada para as 21h, é bom chegar às 21h, porque é provável que ela comece em ponto. Mas um show de rock numa casa noturna marcado para as 22h30min, sabe como é, antes da meia-noite não rola de jeito nenhum.

O presidente do Senado faltou com decoro parlamentar e não foi cassado? Lula considerou tudo absolutamente normal? Qual a surpresa? Você devia saber como é.

Ninguém aparecer para trabalhar na Quarta-Feira de Cinzas, não devolverem o livro que você emprestou, seu filho adolescente esquecer de dar um recado. A gente sabe como é. E sabendo, não se mexe, não corre atrás do prejuízo, não tenta mudar nada.

Esse conformismo talvez esteja com os dias contados. Sinto no ar, pela primeira vez, um desconforto geral que pode dar em alguma coisa. A gente sempre soube como a violência é, como a política é, como o Brasil é. Era assim mesmo. Desse jeito aí. Fazer o quê? Mas parece que nossa complacência chegou ao limite.

Espero que este 2007 seja marcado pela reação. Que todos tenham disposição para dizer: "Sei como é, mas não quero pra mim". É um posicionamento difícil de transformar em prática, mas se não dispensarmos o marceneiro que sempre atrasa o serviço, se ficarmos constrangidos de pedir de volta o livro emprestado, se não entrarmos na Justiça contra a empresa aérea que cancelou o vôo, como iremos nos habituar a lutar por coisas ainda mais sérias?

Chega de tolerar o malfeito e o errado. Daqui pra frente, ninguém mais sabe como é. Queremos saber como vai ser.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Vou mudar dessa vez!

Sempre que escrevo no blog é porque já li meus e-mails e se alguma coisa bate, eu falo sobre isso, ou se alguma coisa me aconteceu no dia eu desabafo e falo algumas coisas que não teria coragem de falar da mesma forma que escrevo aqui para a pessoa!

Hoje vou fazer diferente, estou esperando que os meus 33 e-mails entrem na caixa de entrada e vou escrever sobre uma coisa que muita gente já escreveu mas eu ainda não.

Como as pessoas hoje em dia encaminham e-mails!

Se eu disser que recebo por mês 1 único e-mail com palavras dirigidas apenas para mim, possivelmente vou estar mentindo! As pessoas mandam scraps, no máximo, pelo Orkut e encaminham 33 e-mails para outras 33 pessoas que vão encaminhar cada uma delas para mais 33 pessoas e possivelmente você vai receber esse mesmo e-mail mais 33 vezes!

Chega a ser irritante! Você abre a caixa de e-mails e tem um monte de e-mails que você já leu pelo menos uma vez na vida e outros que nem te interessam e nenhum deles te pergunta:
- Oi, como você vai? Quanto tempo não nos falamos?

Eu já cheguei num ponto que eu abro o e-mail, leio a primeira frase e se me agrada até continuo, senão já fecho e passo para o próximo e-mail requentado.

Realmente são raros os e-mails "inéditos" ou "imperdíveis" e quando eles são realmetente imperdíveis eu até encaminho, mas para um grupo seleto de pessoas que eu sei que vão gostar de ler ou ver aquilo.

Já fui dessas de encaminhar 100% do que recebia, só que passei a beber do meu próprio veneno quando a caixa de e-mails começou a ficar lotada de "encaminhamentos".

O próprio Orkut já está virando uma grande caixa de spams, haja vista os Orkut Glitters que tem por aí, ele deve ter algum tipo de automatização para enviar o mesmo desenho piscante para toda a lista de amigos.

O pior de tudo são aquelas pessoas que estão começando a usar internet agora e se admiram com tudo o que entra na sua tela, ontem recebi um e-mail que dizia que cada um que enviasse aquela mensagem adiante ganharia U$ 245,00 ou qualquer outra quantia absurda em dólares. Respondi para a pessoa, e não sei nem se não fui muito estúpida na resposta, mas afinal me irritei com aquilo:

- CLARO QUE É VERDADE!!!!
EU MESMA JÁ GANHEI PERTO DE 1 MILHÃO DE DÓLARES SÓ REPASSANDO ESSE E-MAIL!

Ah! Faça-me o favor, né?



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O que vamos fazer?

Mais uma vez vemos nos jornais uma criança que foi abandonada.
De um lado a mãe que pariu desesperada sem saber o que fazer com a criança, talvez até por falta de informação ou por medo de represálias não deu um outro destino à essa criança, poderia muito bem ter entrado em contato com o conselho tutelar na gravidez mesmo, se já não quisesse criar essa criança.
Mas não se sabe porque, decidiu abandonar a pobre criatura que agora foi "batizada" com o nome de Anita por conta do dia do seu nascimento 20 de setembro de 2007 e por conta da sua bravura mesmo tendo tão poucas condições de se defender frente às adversidades que a breve vida já lhe impôs.
De outro lado, muitos casais que querem adotar uma criança e têm que passar por uma verdadeira via crucis para estarem aptos à adoção e depois que estão aptos, no aguardo de uma criança dentro do "padrão". Claro: todos querem uma menina recém-nascida, loira e de olhos claros. Num país de maioria negra é claro que esse "modelo padrão" de crianças adotáveis não está disponível.
Mas os casais teimam... O que custa ir numa instituição para visitar, lá você se dispõe a conhecer as crianças e uma delas vai te chamar a atenção, mesmo sendo negra, com muito mais do que um ano de idade e o melhor de tudo: louca para ter uma família. Não são os pais que escolhem a criança, é ela quem escolhe os pais...
No dia em que mudarmos o padrão de idealização para adotar uma criança, vai faltar criança disponível para adoção.
Mas temos que mudar nossa imagem de criança perfeita. Afinal de contas a criança perfeita é aquela que toca o seu coração e não aquela de cabelos loiros e olhos azuis.
IMAGEM NÃO É TUDO!



terça-feira, 18 de setembro de 2007

Indignação

Primeiro as pessoas reclamam que não tem clientes!
Depois quando aparecem os clientes elas atendem mal ou nem atendem, ficam enrolando as pessoas.

Mas quando essas mesmas pessoas são clientes, elas querem ser bem atendidas, atendidas prontamente e querem tudo para ontem. Um dia já reclamaram que o seu negócio estava muito parado e que estava difícil. Mas quando as coisas melhoram, se queixam de stress e de tanto trabalho.

Eu sempre digo, muito cuidado com o que você deseja, pois o mundo conspira a seu favor, se você pede mais clientes, o mundo conspira a seu favor, se você se queixa de excesso de trabalho, o mundo conspira a seu favor.


Se você atende uma pessoa bem, ela pode até nem falar para ninguém, no máximo pode indicar os seus serviços para alguém, mas quase sempre nem fala nada. Agora, se uma pessoa foi mal atendida ela vai falar no mínimo para outras dez (10) pessoas que com certeza falarão para outras. E com esse efeito dominó seu negócio pode ir por água abaixo em pouco tempo!

A menos que você tenha inventado algo revolucionário ou seja a única pessoa em um raio de 50 km que faça esse serviço ou tenha esse negócio, ainda sim você não é o único. Não vai custar muito para que as pessoas que não foram bem atendidas no seu negócio procurem outro lugar que as atenda
bem!

E no dia em que isso acontecer, o que pode não demorar muito, você vai se lembrar da série de pessoas que não foram atendidas, as que você enrolou até elas se irritarem e as que não chegaram a ver a solução do seu caso, nesse dia você vai lembrar o que poderia ter feito por elas...

Só que é muito mais fácil levantar um negócio do nada do que remendar uma imagem arranhada, nunca mais será como antes e a fama do negócio fica ruim e as pessoas simplesmente migram para outro lugar que as atenda com dignidade!


Então, pense duas vezes antes de abrir um negócio próprio, três vezes antes de entrar de cabeça e mil vezes antes de atender alguém mal!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Vale a pena ler...

Uma lição de vida... Certa vez, trabalhei em uma pequena empresa de Engenharia.
Foi lá que fiquei conhecendo um rapaz chamado Mauro.
Ele era grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças.

Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo.
Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num canto da sala.
Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante.

Devido a esse seu comportamento, Ernani era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo.

Ora ele encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu.
E o que achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo.

Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal.
Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado da pesca para cada um de nós.

No seu retorno, ficamos todos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes.
Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani.

Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós.

Mas, a 'peça' programada era que ele havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte.

- 'Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse 'presente' e
encontrar espinhas, peles e vísceras!', disse-nos Mauro, que já estava se divertindo com aquilo.
Mauro então distribuiu os pacotes no horário do almoço.
Cada um de nós, que ia abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia:
- 'Obrigado!'.

Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último. Era para o Ernani.
Todos nós já estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de grande satisfação.
Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa.

Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa do que estava para acontecer.

Ernani não era o tipo de muitas palavras.
Ele falava tão pouco que, muitas vezes, nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras ao todo.
Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa.

Ele pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no rosto.
Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando.

Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua emoção.

- 'Eu sabia que você não ia se esquecer de mim', disse com a voz embargada.
- 'Eu sabia, você é grandalhão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem um bom coração'.

Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós:
- 'Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção.

Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama.
E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar.
Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela.

E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os remédios.
As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa.
Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto...

Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche.
Ou, como hoje, eu tinha somente uma batata na minha marmita.

Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito para mim.
Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos...', ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos.
- 'Hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...' e ele começou a abrir o pacote...


Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro.
Mas agora, todos percebemos a sua aflição quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani.


Mas era tarde demais. Ernani já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando cada pedaço de espinha, cada porção de pele e de vísceras, levantando cada rabo de peixe.


Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu.

Todos nós ficamos olhando para baixo.

E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós havíamos dito anteriormente:
- 'Obrigado!

Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido quem era realmente o Ernani.


Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu.

Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças.

Graças ao grande espírito de luta que elas possuíam, todas progrediram muito: Carlinhos, o mais novo, tornou-se um importante médico. Fernanda, Paula e Luisa montaram o seu próprio e bem-sucedido negócio: elas produzem e vendem doces e salgados para padarias e supermercados.
O mais velho, Ernani Júnior, formou-se em Engenharia; sendo que, hoje, é o Diretor Geral da mesma empresa em que eu, Ernani e os nossos colegas trabalhávamos.


Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo muito diferente:


Ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.


Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então
percebermos que mal a conhecemos. Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas coisas dela; ignoramos as suas ansiedades ou os seus problemas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Não precisa nem comentar o texto fala por si...

Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi.

Quinta, 23 de agosto de 2007.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências) .

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim.

Agora, nova
mente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações.

Diante de sua
insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te
escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você.

São vários os motivos
que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos).

Você diz, em sua última carta, que
enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem.

Esse tipo de texto apelativo pode funcionar
com muitas pessoas mas, comigo não.

Eu não sou ministra da
educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula.

A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da
família.

Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não
tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa.

Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem.

Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade.

O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.

Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada
alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e
oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola
pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)!

O governo precisa rever
suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática.

Concordo com você.

É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa.

Deveria se endereçada
ao Presidente da República.

Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre.

Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez,
você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença.

Lamento discordar de você Didi.

Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar.

Minha doação mensal já
é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te
garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria
muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam?

Meu filho de 12 anos quer praticar
tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida.

Você acha isso justo? Acredito que não. Você é
um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o
Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores.

Só escolher quem de fato tem vocação para o
ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação.

Peça para ele, também, fazer escolas de horário
integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais.

Dinheiro para isso tem sim!

Diga para ele priorizar a educação e utilizar
melhor os recursos.

Bem, você assina suas
cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique -
Mantenedora Principal dos Dois Filhos que pari
P.S.: Não me mande outra carta pedindo
dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Não deixe para amanhã...


Existem pessoas que sofrem de procrastinação crônica.

Tudo o que podem adiar, elas adiam.

Isso as vezes chega a ser irritante, te prometem uma coisa e quando o interesse delas não está intimamente ligado com o assunto elas vão protelando, retardando, remoendo, atrasando...
Serviço público é um dos setores que sofre desse mal no Brasil, mas não se dá ao luxo de ser o único responsável pelo nosso famoso "jeitinho brasileiro", tudo muito lerdo, muito nas coxas como se diz.

Eu as vezes peco por ser muito objetiva quando poderia fazer as coisas com mais calma, mas me irrita ter que esperar algo que um outro vai fazer se eu mesma posso dar conta daquilo.
Só sei que estou esperando algumas coisas acontecerem e já faz algum tempo que ninguém se mexe pois não é do estrito interesse dessas pessoas que as coisas andem, então vamos adiando, adiando, adiando...


sábado, 8 de setembro de 2007

Sobre depressão


Isso aqui realmente já está virando um vício...


Mas fiquei de escrever sobre depressão e aí vai a minha idéia...

Esses dias estava passando um fax com receitas para uma farmácia de manipulação e comecei a ler as receitas, não conheço as pessoas que pediram a manipulação, mas me chamou a atenção para uma coisa:
O remédio era Sertralina, um conhecido antidepressivo, até aí quase tudo bem, mas a minha surpresa foi a assinatura do médico: Era um GINECOLOGISTA!

Ora bolas, um ginecologista receitando antidepressivos? As vezes vejo clínicos gerais receitando antidepressivos e já acho meio estranho... Agora imaginem o contrário: Será que um psiquiatra poderia receitar anticoncepcionais?

Não estou falando isso apenas pelo fato de as especialidades estarem misturando os seus saberes e fazeres até porque podem argumentar que afinal de contas todos são médicos clínicos gerais e que apenas escolheram especialidades diferentes, não é só isso!

Estou chamando a atenção para o fato de que as pessoas não se permitem mais ficarem tristes, é tudo depressão! Já ouvi várias pessoas falarem, estou deprimida(o) hoje! Só que depressão é uma doença e que tem de graus leve a severo, mas é uma doença, que não cabe aqui citar os sintomas, mas que para ser caracterizada como depressão deve-se apresentar os sintomas por um período de no mínimo 6 (seis) meses!

Já não se ouve mais as pessoas dizerem, estou triste hoje, já se fala, estou deprê. Depressão ganhou até apelido! E com isso, com a grande demanda de neo-deprimidos os médicos se vêem na obrigação de fazer algo para ajudar, o que está no alcance deles? O medicamento. Mas o medicamento por si só não cura a depressão como doença nem a depressão como tristeza... O que está te causando essa tristeza? O que está te preocupando, o que você está sentindo? Essas perguntas com as devidas respostas (que podem ser muito longas) são abreviadas com a prescrição de uma pílula que promete lhe trazer a felicidade, aquela felicidade dos comerciais de margarina, a família feliz e sorridente!

Mas a vida não é assim, é claro que ela é complicada, mas como já disse na postagem anterior é aí que "mora" a graça da vida, nos percalços, nas curvas, na vida temos uma estrada sinuosa a percorrer, vai dizer que não dá sono numa estrada que só tem retas?




sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Nada Sei...


Nada sei dessa vida

Vivo sem saber

Nunca soube, nada saberei

Sigo sem saber...


Que lugar me pertence

Que eu possa abandonar

Que lugar me contém

Que possa me parar...


Sou errada, sou errante

Sempre na estrada

Sempre distante

Vou errando

Enquanto tempo me deixar

Errando

Enquanto o tempo me deixar...


Nada sei desse mar

Nado sem saber

De seus peixes, suas perdas

De seu não respirar...


Nesse mar, os segundos

Insistem em naufragar

Esse mar me seduz

Mas é só prá me afogar...


Sou errada, sou errante

Sempre na estrada

Sempre distante

Vou errando

Enquanto o tempo me deixar

Errando

Enquanto o tempo me deixar...


Sou errada, sou errante

Sempre na estrada

Sempre distante

Sou errada, sou errante

Sempre na estrada

Sempre distante

Vou errando

Enquanto o tempo

Me deixar passar

Errando

Enquanto o tempo me deixar...


Esses dias eu vi uma charge com o Lula usando essa música e nunca tinha reparado no conteúdo dela, é claro que a charge usava a música como metáfora para a dita ignorância do Lula no que diz respeito às falcatruas que acontecem na cara dele e ele faz de conta que não vê!

Mas eu escutei a letra dessa música com o coração aberto e me dei conta de que ela tem muito a dizer, já que somos ignorantes quanto ao nosso futuro, por mais que ajamos como se soubéssemos o que vai acontecer amanhã, na verdade não sabemos de nada, e como é bom que seja assim!

Já pensou se soubéssemos de antemão tudo o que vai acontecer com nós no dia de amanhã, na semana que vem, no mês que vem, enfim, pro resto da vida? Que chato que isso seria, uma vida sem percalços, sem novidades, sem surpresas, uma vida sem vida!

Somos seres movidos pela fantasia, pela imaginação, pela emoção e sem isso seriamos autômatos, não teríamos prazer em viver.

Já ouvi várias pessoas dizerem e muitas vezes eu mesma já disse isso. Da vida só temos uma certeza: a de que um dia vamos morrer...

Mas não pensamos nisso todos os dias, a não ser quando temos uma depressão profunda (isso já é assunto para uma próxima postagem) e que estamos tão fundo do poço que o que somente desejamos é não estarmos mais vivos no dia de amanhã para continuar sofrendo dessa maneira!

Mas de qualquer forma, vivemos como se fôssemos eternos e imortais! E as vezes é bom que seja assim, podemos nos dar ao luxo de algumas (pequenas) irresponsabilidades (desde que inocentes!) as vezes, porque ninguém é de ferro!

Então, viva a sua vida na ignorância do amanhã, nunca se sabe quando será o seu último dia na terra e é bom que se aproveite ele da melhor maneira!

Bom final de semana prolongado, graças ao feriado de hoje!



Independência ou Morte!(?)






http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil

Lendo sobre a Independência, a data histórica, parece que fomos heróicos em nos independizar de Portugal. No entanto uma frase do texto citado no link acima deixa mostrar a parte negativa desse momento histórico:

"Apesar de ser heróica a história do rompimento com Portugal, a independência do Brasil teve vários aspectos negativos. Na sua maioria, foi uma independência das elites, que ganharam mais liberdade econômica e política.

Coerentemente com as idéias da época, ao contrário do que desejava José Bonifácio, por exemplo, a escravidão foi mantida".

Com isso me coloco a pensar, será que realmente somos independentes? Será que a escravidão realmente acabou, será que o Brasil é realmente um país independente?

Vemos tantos escândalos no Congresso, no Senado, nosso presidente não sabe de nada, isso não é um país sério! E o pior de tudo, pergunte a 10 brasileiros o que se "comemora" hoje e poucos saberão realmente!

O nosso país já melhorou bastante, mas está longe de ser perfeito, com tantos agregados e favorecidos... As pessoas se acham espertas passando a mão no dinheiro público e não estão nem aí, pois a bandidagem está protegida, tem costas quentes...

De todo jeito, eu ainda amo o Brasil e não me vejo em outro lugar, mas de uma coisa podemos estar certos, no Sul vivemos em outro país, aqui estamos no paraíso e não sabemos...

A nossa independência é uma independência de meninos maluquinhos, só está no papel...


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Morre Pavarotti

Bem, o dia amanheceu mais triste na terra e bem mais feliz no céu!

Dos três tenores ele é o que tinha mais talento, uma voz sem comparações, era o único que cantava se fazer esforço, não se notava que aquilo era difícil, que as notas eram extremamente agudas para o seu tom de voz.

Um belo exemplo para os cantores líricos ou não de todo o mundo.

O dia amanheceu mais triste pois não poderemos mais ver o Pavarotti cantando e encantando as mais diversas platéias por todo o mundo, mas de qualquer forma temos um legado de cantores novos e que podem ser brilhantes, talvez nem tanto, quanto o Luciano!

http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI1886970-EI1267,00.html

Ele tinha câncer e com certeza estava sofrendo muito com a doença, que ele descanse em paz e que ele possa cantar muito no andar superior!

Só posso dizer que eu gostava muito dele!


terça-feira, 4 de setembro de 2007

Tudo Novo!?


Sempre procuro inovar nas coisas que eu faço.
Já tive diário e confesso que ainda tenho. J
á tive um myspace, nem sei que fim levou esse negócio, não achei muita graça naquilo porque apenas eu lia o que escrevia.
Já tive várias coisas que nem se usa mais (tipo ICQ).
Por falar em ICQ lembrei que eu tinha um ICQ e resolvi entrar para ver se ainda existia alguém que acessava o pobre coitado. Dos meus antigos contatos nenhum estava on-line. Depois do advento do MSN o pobre ICQ ficou às traças.
Conheci meu marido pelo ICQ que tinha uma coisa muito legal que o MSN não tem que é a busca. Você podia buscar por cidade, por sexo, por nome, os que estavam on-line ou não. Em suma fiz muitas amizades pelo ICQ.

Mas hoje em dia no MSN só quem tem o teu e-mail cadastrado te adiciona e olha lá, a gente não sai dando conversa para qualquer um não!
Bem, porque estou falando nisso mesmo? Ah! Sim para dizer que estou fazendo mais uma coisa nova que daqui algum tempo também vai ser ultrapassada!
Bem, sintam-se a vontade para comentar as sandices que eu digo (escrevo) aqui!
Beijinhos... =^..^=