Esse blog é uma verdadeira caixa de retalhos, escrevo tudo o que quero, lê quem quiser e comenta quem acha alguma coisa.

sábado, 28 de maio de 2011

A força das Palavras - Lya Luft

"Viemos ao mundo para dar nomes às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas
ou servos de quem as batizar antes de nós"

Palavras assustam mais do que fatos: às vezes é assim.

Descobri isso quando as pessoas discutiam e lançavam palavras como dardos sobre a mesa de jantar. Nessa época, meus olhos mal alcançavam o tampo da mesa e o mundo dos adultos me parecia fascinante. O meu era demais limitado por horários que tinham de ser obedecidos (por que criança tinha de dormir tão cedo?), regras chatas (por que não correr descalça na chuva, por que não botar os pés em cima do sofá, por quê, por quê, por quê...?), e a escola era um fardo (seria tão mais divertido ficar lendo debaixo das árvores no jardim de casa...).

Mas, em compensação, na escola também se brincava com palavras: lá, como em casa, havia livros, e neles as palavras eram caramelos saborosos ou pedrinhas coloridas que a gente colecionava, olhava contra a luz, revirava no céu da boca... E às vezes cuspia na cara de alguém de propósito, para machucar.

Depois houve um tempo (hoje não mais?) em que palavras eram cortadas por reticências na tela do cinema, enquanto sobre elas se representavam cenas que, como se dizia no tempo dos pudores, fariam corar um frade de pedra.

Ilustração Ale Setti

Palavras ofendem mais do que a realidade – sempre achei isso muito divertido. Palavras servem para criar mal-entendidos que magoam durante anos: 

.Você aquela vez disse que eu...

.De jeito nenhum, eu jamais imaginei, nem de longe, dizer uma coisa dessas....
.Mas você disse...
.Nunca! Tenho certeza absoluta!

Vivemos nesses enganos, nesses desencontros, nesse desperdício de felicidade e afeto. No sofrimento desnecessário, quando silenciamos em lugar de esclarecer. "Agora não quero falar nisso", dizemos. Mas a gente devia falar exatamente disso que nos assusta e nos afasta do outro. O silêncio, quando devíamos falar, ou a palavra errada, quando devíamos ter ficado quietos: instauram-se, assim, o drama da convivência e a dificuldade do amor.

Sou dos que optam pela palavra sempre que é possível. Olho no olho, às vezes mão na mão ou mão no ombro: vem cá, vamos conversar? Nem sempre é possível. Mas, em geral, é melhor do que o silêncio crispado e as palavras varridas para baixo do tapete.

Não falo do silêncio bom em que se compartilham ternura e entendimento. Falo do mal de um silêncio ressentido em que se acumulam incompreensão e amargura – o vazio cresce e a mágoa distancia na mesma sala, na mesma cama, na mesma vida. Em parte porque nada foi dito, quando tudo precisaria ser falado, talvez até para que a gente pudesse se afastar com amizade e respeito quando ainda era tempo.

Falar é também a essência da terapia: pronunciando o nome das coisas que nos feriram, ou das que nos assustam mais, de alguma forma adquirimos sobre elas um mínimo controle. O fantasma passa a ter nome e rosto, e começamos a lidar com ele. Há estudos interessantíssimos sobre os nomes atribuídos ao diabo, a enfermidades consideradas incuráveis ou altamente contagiosas: muitas vezes, em lugar das palavras exatas, usamos eufemismos para que o mal a que elas se referem não nos atinja.

A palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos. Com a palavra, seduzimos num texto; com a palavra, liquidamos – negócios, amores. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transportará vidas ou armas.

"Vá", "Venha", Fique", "Eu vou", "Eu não sei", "Eu quero, mas não posso", "Eu não sou capaz", "Sim, eu mereço" – dessa forma, marcamos as nossas escolhas, a derrota diante do nosso medo ou a vitória sobre o nosso susto. Viemos ao mundo para dar nomes às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós.


O texto publicado aqui é de autoria de Lya Luft que é escritora.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O meu jeito

Por mais que tentemos agradar às outras pessoas, nunca agradamos a todos. Resolvi deixar de agradar e tratar as pessoas da forma como eu gostaria de ser tratada, se eu me equivocar, me digam, não fiquem me dando indiretas. 
Faço terapia tentando achar o meu jeito de ser, a gente se modifica tanto por outras pessoas que quando te perguntam, como é o teu jeito de lidar com essa situação, já não se sabe mais... Não que eu ache que tenhamos que ter uma maneira única de resolver as situações, pois todos mudamos todos os dias, mas como eu lido com a minha raiva, por exemplo? Já fui muito de gritar, de botar os cachorros, mas hoje eu engulo a raiva, mas porque? Com quem eu aprendi a controlar a raiva dessa maneira? Eu tenho medo de magoar alguém expressando minha indignação? Pode até ser, mas a cada dia eu vejo que as pessoas que gostam de mim, ficarão ao meu lado apesar de alguns dias não serem muito bons... afinal todo mundo tem seus dias mais  difíceis...

sábado, 21 de maio de 2011

Nova (antiga) paixão!

Fonte da Imagem

Reatei com uma antiga paixão... Há algum tempo que não nos víamos, não nos encontrávamos, mas nos reencontramos e agora estamos muito bem... Pensou o que?
A música voltou com tudo em minha vida, me trouxe novos horizontes, novos interesses. Uma vida fora do trabalho, um grupo novo de amigos, todos mais velhos, claro, afinal é um coral!
Fomos a um encontro na cidade de Vale Real e foi muito proveitoso! Tive um domingo ótimo! A minha vida tem outro sentido quando estou rodeada de música!
Como já diz o ditado: - Quem canta, seus males espanta!